Tuesday, August 19, 2008


Enquanto isso...

Não quero mais a submissão
Da cultura condicionada,
Do consumismo desenfreado,
Da educação embotada,
Do capitalismo omisso...
Desejo apenas ser.

Morremos ao vivermos em busca...
Da bimbada fácil
Do dinheiro farto
Da bela casa
Do melhor carro
Da mulher-troféu
Do macho-alfa...
Onde VOCÊ está nessa lista?

Da união surgimos, no pó terminaremos...
Não podemos mais comprar terrenos no céu.
Seria Deus um latifundiário falido para necessitar do seu dinheiro?
Alguém já viu o Diabo em persona? Ah, o magma não deixou...
Enquanto isso, o financeiro contabiliza a sessão de domingo.

Morremos ao amontoar riqueza, bens...
Condicionados.
Morremos ao buscar conhecimento, diplomas...
Condicionados.

Morremos ao freqüentar festas, puteiros
Em busca do esquecimento de si.
Em troca do efêmero prazer,
Beijemos, bebamos e trepemos.

Para ser alguém
Temos de estudar,
Temos de ter?
Não bastaria apenas ser?

Tudo para não encararmos o monstro que em nós habita... alimentamos a nefasta segurança embriagando-nos e prorrogando a resolução de nossos problemas mais íntimos.

Vivo de morrer para a preocupação,
Procurando acender o velho lampião
Escondido mas presente no coração.

Vou em direção a ti,
Luz própria...
Tão apagada neste mundo do

EU QUERO
EU TENHO
EU GOSTO
EU EXIJO
EU ODEIO

Vivo para esquecer de mim.
Presença atemporal,
Vivo em direção a ti...
Assim caminho.


Wednesday, June 18, 2008

Buenas.

Estou um tanto ausente do blog por diversos motivos, entre os quais destaco nova incomodação com a espondilolistese. Até confesso que poderia atualizar com mais freqüência, mas a inspiração não deu as caras nos últimos tempos. Enfim, vamos para uma nota rápida.

Relacionamentos afetivos podem nos levar para o céu ou o inferno, conforme os valores que colocamos como prioritários. Aprendi bastante com a trilha do auto-conhecimento; ainda há muito que caminhar. Particularmente vejo com satisfação o amadurecimento obtido com os relacionamentos que tive, principalmente aqueles que me trouxeram sofrimento.

OK, todos nós aprendemos duma forma ou outra... embora sejam muitos os que aprendem, são diversos os que se escondem em casamentos de fachada, mera união de interesses financeiros ou os que se anulam numa relação por imposição de "valores" do seu círculo social, que consideram solidão como "incompetência de arranjar alguém". Isso sem contar aqueles que se comprazem em sua perdição, procurando nos parceiros a resposta que eles devem obter somente por si...

Enfim, divagações à parte... queria deixar registrada minha alegria no ciclo de vida que me encontro. A qualidade das relações, quando há maturidade, atinge proporções exponenciais. Nessas horas agradeço por tudo que passei, não de forma masoquista; graças ao sofrimento me tornei um ser humano melhor que outrora. Ainda possuo inúmeros defeitos que com a jornada do conhecer-SE procuro administrá-los, uma hora consigo.

Assim, aprendo a me desapegar para tudo, como que numa morte diária para aquilo que fui e passei. Baseado em valores mútuos com respeito, maturidade, liberdade e individualidade, unidos encontramo-nos no propósito de sermos felizes, sendo o que somos e não pelo que tivemos, temos ou viremos a ter. Nos momentos de dificuldades nos aproximamos, com serenidade tocamos nossas vidas deixando ao futuro que ele apenas chegue, sem nos preocuparmos com o que será.

Obrigado por serem parte da minha vida, Luciana e Lola. Beijos melados. :)

No mais, tentando voltar à vida normal...


Friday, May 09, 2008

Enquanto isso, no meio das empilhadeiras...

Vejo-te ao ver-me em reflexões,
Alegro-me em ver-te alegre.
Idéias, prazeres, sensações...

Sentir-te feliz por sentir-me preso
Ao estarmos juntos
Pelo adorável desejo
De nos vermos, unos.

Adoro-te por adorar-me,
Em nossas essências amamo-nos.

Juntos caminhamos nessa estrada, mafiosa borboleta.


Tuesday, April 29, 2008

Algumas notas matutinas.


Comecei a ler "Sobre o Amor e Solidão", de Jiddu Krishnamurti. Muitos nunca ouviram falar desse cara, e provavelmente ele permaneça imóvel nas prateleiras das livrarias que insistem em vender obras que façam as pessoas fugirem dos seus medos e problemas. Afinal de contas o capitalismo deseja o embotamento humano em prol do consumismo... leremos Prêmios igNobeis de Literatura, traficantes dando lições de moral, livreiros de Brujuru do Norte e diversos Segredos que nos levam a lugar algum, fugindo eternamente da solução para aquilo que nos incomoda, guardando tudo em nossas fétidas Caixas de Pandora.

Confesso que os tópicos amor e solidão me são deveras simpáticos. Hoje vivemos num mundo onde desesperadamente caçam uns aos outros na busca do "amor", tentando fugir daquilo que consideramos "solidão", num medo absurdo de encará-la de frente - isso quando a vemos e costumeiramente reclamamos "por que isso só acontece comigo?". JK - como costumo chamá-lo - cita algo que se encaixa perfeitamente: seria medo do fato ou da idéia? A mente projeta de forma doentia imagens que não condizem com a realidade, fazendo-nos temer algo que sequer experimentamos para de facto termos motivo para sentir medo.

Enfim... cada vez mais acredito que a origem do mal está no medo. Medo do desconhecido, causado pelo ridículo conforto que desejamos encontrar em bens materiais, "carreira", "universidade", "conhecimento", "sucesso" e "amor". Nos "realizamos" ao preço do extermínio da nossa essência, graças à submissão a valores distorcidos praticados pela sociedade há séculos.

Por que precisamos de alguém para sermos plenos?


[]'s


Monday, April 28, 2008

Ato XXXI: Gran Finale.


É com grande alegria que encerro um ciclo neste blog. Quando iniciei os posts intitulados carinhosamente de "Atos", queria deixar registrado para todos os diversos estados de espírito que tive durante uma fase da minha vida marcada por profundas transformações... os amigos mais próximos e presentes bem sabem do que se trata.

Foi difícil. Tempos atrás vi uma entrevista no YouTube dum psicólogo que define sucintamente as fases de transformação das pessoas após uma experiência significativa - geralmente traumatizante - , marcadas por altos e baixos:

Negação
Dor presente, revolta e resistência perante os fatos. Sofrimento constante devido à persistência das lembranças. Eis aqui o que Krishnamurti maestralmente fala em seus livros: sofremos porque pensamos, pensamos porque nos arraigamos às lembranças... lembranças são passado.

Aceitação
Aqui entra a fase mais árdua do processo de amadurecimento. Você aceita, todavia prevê irracionalmente um futuro sombrio e sem esperanças de melhora. É comum as pessoas desenvolverem alguma depressão, síndrome e/ou desejo de suicídio nesse estágio devido à catarse dos pensamentos. Psicólogos, psiquiatras e terapeutas diversos são presentes nesse estágio; considero-os de grande valia, conforme cada caso.

Compreensão
Nesse estágio a dor ainda permanece, porém você começa a se questionar sobre o motivo pelo qual ela surge. Aqui a legítima Verdade surge, a de que somos reféns dos nossos pensamentos. Mais uma vez cito Krishnamurti, que reflete muito bem essa passagem: "o homem o único animal que consegue levantar uma prisão e habitá-la".

Aqui destaco uma fase muito, muito positiva: começamos a ser autênticos. A qualidade das amizades muda, nossos relacionamentos mudam, atraímos pessoas de iguais perspectivas e valores. Esse processo é único, mágico.

Libertação
Obviamente, este é o resultado que desejamos. Você encara a dor com gratidão e bom-humor; considero-os marcos finais do aprendizado, sofrimento transmutado em lição para a vida. Por conseqüência há a colheita das sementes plantadas... a vida com mais alegria, serenidade e amor legítimo graças ao despertar de uma nova consciência.

Agradeço profundamente pelo sofrimento,
Amadurecimento como homem que procuro ser.

SER humano que busco ao longo dos dias;
Pelas amizades fortalecidas,
Também aquelas adquiridas;
Pelas relações constituídas,
Como aquelas destruídas.


Busco minhas respostas, sem medo de enfrentar a escuridão... trevas promovidas pela fuga de si, atendo-se em falsas alegrias momentâneas; conforto das situações mal-resolvidas. Corajoso é aquele que enfia o dedo com sal grosso nas próprias feridas, sem as chagas do orgulho e hipocrisia. Se as pessoas não varressem para debaixo do tapete a mediocridade da segurança promovida em não enfrentar seus medos, seriam bem melhores e felizes.

Adoro MULHER tatuada. :)


Sunday, April 13, 2008

Ato XXX: Reflexões de final de semana.


Nesta noite chuvosa de domingo, após algumas análises e compilações mal-sucedidas, dei um tempo para pensar numa das atitudes que considero extremamente negativas nas relações humanas: o julgar.

Vivemos numa sociedade baseada principalmente em condicionamentos baseados nas imagens das pessoas. Obviamente interpretamos essas imagens conforme as impressões formadas pela nossa experiência de vida, grupos sociais e valores morais e religiosos; conseqüentemente julgamos. Há vezes em que acertamos sobre uma pessoa analisando a imagem que ela projeta, entretanto muitas vezes nos enganamos profundamente.

Confesso que o julgar me desaponta: considero-o uma grande injustiça com quem é julgado. Qualquer forma de julgamento ou análise de uma pessoa afronta sua essência, pois na grande maioria das vezes o que ela projeta pode não condizer com a realidade. Muitos são os que projetam um mundo repleto de roupas e acessórios de marca, bens materiais e beleza aos olhos alheios na fuga dos seus tormentos mais íntimos; aqueles que manifestam seu carinho por conselhos sinceros que soam antipáticos por serem duros; os que são dóceis de espírito mas possuem opinião forte, sendo taxados por arrogantes, entre outros casos...

Enfim... um ponto para pensar e refletir. Podemos ser injustos com ótimas pessoas nos atendo a meras interpretações iniciais, deixando oportunidades de relacionamento.


Tuesday, April 08, 2008

Ato XXIX: A New Life Begins.


Muitos se questionam sobre o rumo de minhas palavras aqui. Realmente há uma mudança significativa no modo de pensar, sobretudo de viver.

Aqueles que me conhecem há mais tempo sabem duma eterna mania minha. Graças a ela classifico-me como "pensador compulsivo", ou seja, alguém cujo cérebro funciona quase que perpetuadamente em intensa atividade, sempre ávido por conhecimento. Mudar todo um ritmo na maneira de ser requer força de vontade, vigília constante e coragem. Obviamente que tudo isso não começou automagicamente, mas a partir duma descoberta significativa.

Num domingo à noite, quase madrugada, conheci uma criatura chamada Jiddu Krishnamurti. Nestes oito meses que se passaram desde que comecei a morar sozinho, adquiri muitos livros relacionados à filosofia e psicologia como forma de compreender e ter sustentação para a série de mudanças que ocorreram na minha vida (não que elas fossem gigantes, diria mais sobre a forma como elas aconteceram). Desde que comecei a ler alguns e-books dele encontrei em suas palavras muitas das visões de mundo que sempre tive, quando analisava a vida como um todo e pensava no motivo deste mundo ser da forma como é, abençoado e maldito.

Claro que toda forma de identificação faz brilhar nossos olhos numa primeira análise, muitas vezes necessitando de cuidado para não se tornar fanático, seguir ao pé-da-letra sem lógica alguma ou querer ser dono da verdade. Sobre esta última, acredito cada vez mais que ninguém terá esse título, pois a cada dia nossa vida nos proporciona ensinamento constante. Enfim... confesso que JK está fazendo com que eu me torne uma criança de três anos, daquelas bem chatas que pergunta o "por quê" de tudo. Aprendi a ver em cada pessoa uma excelente oportunidade de crescimento nessa estrada do auto-conhecimento.

Não sou mais o S4 de ontem. Se me perguntarem sobre o futuro, dizer-lhes-ei (adoro mesóclise) que nada sei e estou bem assim. Não objetivo mais nada, apenas quero SER. O fruto dessa mudança já começou: vejo pela qualidade e caráter das pessoas que me relaciono hoje, sinal de que sou querido e admirado pelo que sou. Cada vez mais acredito que teremos relações - sejam sociais ou afetivas - melhores quando prezarmos pelo interesse mútuo de sermos antes de qualquer outro desejo mais "egoísta", por assim dizer.

Obviamente que essa caminhada me tornará diferente das demais pessoas que existem nesse mundo, pois nos tornamos mais intolerantes a determinadas atitudes. Mas a paz de espírito proporcionada na busca do SER compensa e muito. Não há palavras para tal, até porque cada um deve achar à sua maneira; mas digo-lhes: VALE A PENA. :)

No mais, bela serenidade sentida nos últimos dias ao lado de pessoas que admiro muito.

Admiro a Verdade manifestada naqueles que a buscam,
Assim como nos que são sinceros quanto à falsidade de suas vidas.